domingo, 21 de agosto de 2011

Esta é só a minha vida

Prologo introdutório

Esta peça é apenas uma ode a minha vida. Tem como intuito revelar o meu íntimo, as minhas piores ações, o meu desequilibro, a minha catatonia, a minha maldade.
Mas eu não quero chocar vocês, não eu quero que vocês me compreendam e quiça se vejam em mim. Sim eu quero convidar vocês a mergulhar no abismo humano, que é o meu abismo e o de vocês também, pois nos incluímos nessa raça. Mas para isso, para que vocês venham comigo, para que vocês não se choquem com o meu intimo, para que vocês topem pegar em minha mão e se jogar no precipício comigo-eu dúvido que alguém toparia se jogar no precipicio, talvez não seja um bom argumento este- eu preciso fazer com que vocês gostem de mim, eu preciso fazer com que vocês tenham vontade de me por no colo, eu preciso que vocês me achem uma menina fofa, eu preciso que vocês se sintam meus pais, não meus irmãos, mas meu pais.

Nessa hora uma mulher sobe em cima da corda bamba e se equilibra nela. Essa mulher poderia ser eu. Nessa hora eu volto a ser criança. Eu estou com os meus primos no apartamento do meu avô. Um apartamento antigo, todo de madeira, com um cheiro de cigarro e polvilho anti-séptico. Eu e meus primos corremos e rimos, por qual quer uma dessas razões que fazem crianças correrem. E a gente faz muito barulho. E de repente, com passos de tempo dilatado, com pantufas arrasntando lentamente e uma cara de desagrado, meu avô, trajando cabelos brancos, atravessa o corredor, meio que dixavadamente, ele fica nos observando, esperando o momento que sumiriamos dentro de algum outro comodo do enorme apartamento. Eu fingo que sumo e quando ele se distrai, me escondo no armário, eu sabia o que meu avô pretendia, ele ia entrar dentro do quarto proibido e ficar ali por horas, fazendo qual quer coisa que eu não podia saber, mas imaginava. Fiquei dentro do armário e vi quando ele pegou a chave dentro de um vaso de flores ao lado da porta, ele pegou a chave abriu a porta e se trancou lá dentro. Eu esperei, resisti bravamente ao impulso de correr e gritar com as outras crianças. Esperei por um tempo que naquele momento parecia maior que a minha vida, parecia maior que a vida do mundo inteiro. Contei meus dedos por mais de um milhão de vezes, e eu nem sabia contar até um milhão(talvez ainda não saiba), quando finalmente a porta se abriu. Ele olhou para todos os lados, procurando assegurar-se de que não havia nenhum de nois por ali, nenhum de seus inimigos barulhentos e atormentados. Quando finalmente teve certeza de que o campo estava livre, colocou a chave de volta no vaso. Eu esperei ele sumir do meu canto-greta de visão e sai de dentro do armário, com passos leves e uma adrenalina nunca antes experimentada. Eu empurrei as flores de plástico para o lado, com toda a minha delicadeza de 06 anos e surrupiei a chave. Neste momento de coração acelerado abri a porta com uma habilidade inenarrável. Abri e fechei na mesma velocidade, me trancando agora do lado de dentro, no território dos que andam de pantufas e não gostam muito dos gritos sem razão, abri e vi um quarto enorme, inteiro de livros, do chão ao teto, com uma escada que de rodinhas de permitia seres pequenos como eu, alcançar até o último deles.

(Continua)

Um comentário: